"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram"
Gloria Hurtado
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Fiquei na dúvida sobre o título que daria a este capítulo, se este que lhes foi apresentado ou "a decisão". Em todo o caso, não quero fazer um post de despedida (ainda), mas sim compartilhar o momento em que decidi colocar um ponto final ao intercâmbio e os motivos disto. Não falarei em geral sobre encerrar o intercâmbio, falarei sobre a minha experiência, a qual acredito que pode servir de melhor exemplo e inspiração para pessoas em situações parecidas.
Mas aí, antes de tudo, você me pergunta:
- Thiagão, você vai me trazer umas lembrancinhas daí?
E eu respondo:
- Não!
Pois bem, após muito pensar, refletir, ponderar, conversar, orar, pensar mais um pouco e ficar na dúvida, decidi voltar ao Brasil. Pois é, pessoal. Em tempos de "VEM PRA RUA", o povo irlandês lançou uma forte campanha para mim, no caso "VOLTA PRA CASA!". E para alegria geral da nação irlandesa e tristeza geral da nação brasileira, estarei de volta à São Paulo em outubro.
Quando vim para Dublin fazer o intercâmbio tinha o plano de ficar seis meses, sendo estes prorrogáveis ou não, dependendo da minha situação. Lembro que em meados de maio, tive uma conversa com meus pais na qual eu falava que estava pensando em retornar em junho ou julho, após o término das minhas aulas, pois a situação estava difícil e eu não conseguia emprego. Porém, o namoro teve um grande peso na escolha de continuar minha vida aqui por mais um tempo, além é lógico de viagens planejadas e um emprego que havia conseguido no final do mês de maio.
Morar fora do país, ainda mais na Europa é algo que serei eternamente grato pelo privilégio, mas foi ótimo para perceber que os problemas e as dificuldades continuam presentes, apesar de por vezes se apresentarem de maneiras diferentes. Não consegui um emprego fixo aqui, e sim trabalhos temporários, bicos aqui ou ali, os quais me sustentavam para o próximo mês, mas nunca me davam a certeza de um futuro ou de uma possível renovação do visto. O mês de julho foi o pior mês (ou o menos legal) aqui, pois não estava sendo chamado no trabalho todos os dias, estava cansado de não ter grana e um tédio começou a tomar conta da minha rotina. Se eu não estivesse namorando, trocaria a passagem do voo para a semana seguinte, satisfeito por tudo o que já havia vivido.
Como eu disse no Capítulo 22 deste blog, o planejamento e o jeito que você vai optar por gastar o seu dinheiro é única e exclusivamente sua responsabilidade e sua opção. Temos a facilidade de viajar por preços ridículos mais baixos que no Brasil e conhecer países vizinhos em finais de semana? Sim. Mas quando a verba é curta, cabe a você saber como gastá-la. Eu abri mão de sair, de comer em restaurantes, de gastar com cerveja, etc., procurando economizar e usufruir de uma maneira melhor, no caso viajando. E é o que farei até o final deste intercâmbio. Mas chega uma hora que, com o perdão da palavra, dá no saco não ter um euro no bolso e viver apenas para se sustentar (com dinheiro de sub-emprego ainda por cima).
Entendo o sub-emprego da seguinte maneira: como um MEIO, e as viagens e o sustento como um FIM. Sempre compreendi ele como uma facilidade durante um período, o qual nos planejamos. Mas, ficar aqui em Dublin, vivendo mais tempo, fazendo trabalhos braçais e recebendo pouco por isso, realmente vale a pena? Pode ser que para alguns, sim. Depende do que você quer para a sua vida. Eu acredito que já estou numa idade e numa fase que quero voltar ao Brasil, ter melhores oportunidades e começar a construir uma carreira, agora muito mais maduro e certo de minhas escolhas. Além de usar toda a bagagem que esta experiência me proporcionou.
Não é fácil colocar um ponto final, e sem dúvida nenhuma uso o meu lado totalmente racional neste texto que vos é escrito aqui, bem como na minha decisão. Terei eu feito a escolha certa? Abrir mão desta qualidade de vida e desta experiência agora? E se...
Posso ter inúmeras questões e inúmeros "e se...", mas estou certo de que este ciclo está se fechando, e eu procurarei dar a ele um fechamento sensacional.
"Every new beginning comes from some other beginning's end"
Dito isso, comecem a assar a carne e tocar um samba... Fé em Deus, Fé na Vida! Vamô com tudo!
Thiago "Tôca" Santos












